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Posts Tagged ‘Bailarina’

Quase tudo quanto fosse natural

 

Aracaju-se

Quanta saudade meu doce soldadinho de chumbo

A espera é quase tão lasciva quanto o medo. E eu sempre me perdi em meio ao tempo. Peço que se isente de qualquer dor e sinta essas linhas como se fossem meus dedos em teu rosto, como se fosse aquele primeiro olhar timido e tão silencioso que mais pareciamos partes perdidas de algo que só conheceriamos mais a frente. Recebi todas as tuas cartas e as lí como quem precisa desprender-se de algo e buscar a busca. A verdade é que sempre senti medo e fui egoísta a ponto de não conseguir largar de vez a minha caixinha de brinquedo. Sei o quanto te doi a espera por alguma resposta minha mas meu coração é de papel  e não sente igual aos outros. Cada um sente sobre perspectivas distintas e eu sempre o amei tanto que o afastei como que para me proteger da dor.

Então como pode haver paz se sou uma bailarina com o coração que a qualquer chuva pode se rasgar e mesmo você um bravo soldado de chumbo que se sustenta em apenas uma perna? Não estou falando de diferenças em si, não é isso. Mas o fato é que nos amamos tanto e somos tão distantes. A minha fragilidade construida com esse ballet todo impede-me de abandonar  o lago dos cisnes, e não seria cruel se te pedisse que dançasse essa obra comigo? No fundo sei que também sentes muitos medos, e os laços que te prendem aí são louváveis, mas te corroem em silêncio e como pode isso se foi você mesmo que um dia quando estavamos frente a frente alí sentados que me disse que o maior pecado é o silêncio que corrói a alma?

Ao menos fica a certeza de que em nenhum instante eu deixei de amar-te como quando aquele dia em que cansados ficamos olhando um nos olhos do outro e com isso foi-se todas as estrelas e o céu apagou-se num clarão que trazia o sol para raiar o dia. Meus olhos pesaram por vezes aqui sozinha e sempre busquei a ti, sempre o sentia em mim cada vez que recebia uma carta sua e não as largava por semanas. Ao lê-las meu coração de papel até pareceia possui veias e bombear amor, e quantas vezes pensei em largar de vez o ballet e ir ter com você meu doce soldadinho de chumbo.

O amor é como um objeto não identificado e por mais que me doa essa distancia toda não sei de mim as verdades e a força para seguir rumo a ti. A saudade é o pior tormento. Faz muito tempo que não mandava uma carta a alguém e nem sabia bem por onde começar.  Tenho medo que não me esperes mais, tenho medo de me perder em mim mesmo e não ter-me dado oportunidade de ser. Tenho medo que um dia você também me esqueça.

Quero que você me dê a mão… De sua bailarina

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Teatro Mágico

A BAILARINA E O SOLDADO DE CHUMBO

De repente toda mágica se acabou e na nossa casinha apertada
Tá faltando graça e tá sobrando espaço
Tô sobrando num sobrado sem ventilador
Vai dizer, que nossas preces não alcançaram o céu
Coração, que inda vem me perguntar o que conteceu
Contece seu rosto por acaso ainda tem o gosto meuCom duas conchas nas mãos, vem vestida de ouro e poeira
Falando de um jeito maneira
Da lua, da estrela e de um certo amor
Que agora acompanha seu dia, e pra minha poesia é o ponto final
É o ponto em que recomeço, recanto e despeço da magia que balança o mundo
Bailarina, soldado de chumbo
Bailarina, soldado de chumbo
Beijo e dor
Bailarina, soldado de chumbo
Nossa casinha pequena parece vazia sem o teu balé
Sem teu café requentado soldado de chumbo não fica de pé
Nossa casinha vazia parece pequena sem o teu balé
Sem teu café requentado soldado de chumbo não fica de pé    

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Aracaju                                                                                      

 

Hoje acordei cedo e fiquei esperando qualquer movimento: todos os soldadinhos ainda dormiam enquanto eu tomava ar fora da caixa de brinquedos. Meu coração palpitou forte ao ver chegar uma carta para mim. Pensei ser a doce bailarina e sorri; Abri o envelope com ânsia e tão surpresa foi minha reação: não era a carta que tanto precisei, nem tão pouco era uma carta. Mirei o papel em minhas mãos e logo o contentamento voltou a meus lábios. O papel continha as mais belas imagens que já vi: e tocou-me por tocar a alma. As imagens foram feitas a mão por uma tal Maria, era ela lá das terras do Aracaju a menina. Se fores tão doce quando a fotografia quererei conhecê-la a fundo.

Imaginei por ora como haveria ela de saber que gosto do cinema, como gosto das bailarinas e dos pierrôs. Não sei qual o propósito da foto, mas acertou o alvo. Os meus olhos molharam-se ao ver o pierrô filmando a bailarina… Não sou um pierrô, sou um soldado, mas pensei que um dia a doce Maria pudesse desenhar um soldadinho filmando o mundo e também pensei que como tão perfeitos traços de uma arquiteta eu um dia pudesse pedir que Maria arquitetasse uma nova casinha de brinquedos para mim: uma casinha em que nela coubesse os sonhos e as dores: coubesse bailarinas e girassóis. E que também houvesse desenhado um lugar de relicário onde todos os sonhos saíssem do papel e lá se guardassem esperando um tempo, Onde todas as imagens fossem em película e que todas as tarde ao cair a noite entrássemos todos juntos pelas nossas próprias pernas e sem que algum dono nos empurrasse brutalmente contra o sonho. E assim assistiríamos atentos ao filme que construiríamos juntos, veríamos filmes onde tivessem arquitetos e cineastas e que a trilha sonora fosse feita ao som dos violinos

 Imagen: Párbata Côrtes

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Aracaju-SE                        09.04.2008

 

Querida bailarina, Talvez a senhorita nem mais esteja por aí; nem sei se teu castelo de papelão ainda permanece intacto depois de tanta chuva, ao menos vale a esperança de que não naufragues junto as àguas revoltas desses dias que nos toma por assalto. Era necessário que eu escrevesse para ti mais uma vez. Faz tanto tempo que não a contemplo de perto e nem mesmo sei se já reconheceria teu gosto em outros beijos. Tudo que não me deixa em paz.

Não sei se sabes ou conheces bem isso, porém as pessoas estão se perdendo em relações abstratas; e eu aqui esperando que me caia outra noite em que o céu esteja limpo e que eu possa contemplar novamente o nascimento de algo, algo que não sei o nome: sei apenas que é preciso cativar o outro e depois de tudo, quereremos nos transformar no que agrada o outro. Como um objeto não identificado: porque é preciso que as vezes não digamos o nome nem classifiquemos as coisas, os seres.

Falo de uma bruta flor do querer minha querida, e você o que me diz disso tudo? Será que já perdeu as forças de lutar em posse de cisnes? Lembre que mesmo ferido e reclamando esperei por ti em cima de uma única perna e mesmo meus braços cansados de carregar o fardo fuzil não me abateu. A amizade vale mais que tudo, e é tão bom conhecermos pessoas assim iguais a nós, pessoas que às vezes parece faltar um pedaço.

Acho que essa semana aconteceu algo desse tipo: Era um garoto que como eu escuta gal costa e reflete a poesia dos isolados, dos sozinhos e sonhadores idealistas. Como se fosse um objeto não identificado. Minha pequena e tão doce bailarina, não deixe de me responder, preocupo-me muito com a tua ausência e preciso saber se ainda pensas em mim; esse silêncio todo me atordoa mas os dias que virão serão mais claros. Aqui também chove, mas às vezes bate sol… É preciso que haja um néctar na imensidão do tempo,, em que sol e chuva soem como mais um dia que acalenta tudo quanto queremos, e que não faça apenas sol para que apague de brilho e calor os corações de chumbo como o meu, nem mesmo que só chova, porque o frio tornaria-se o agasalho que esquenta e não eu a teu lado tentando recuperar esse coração quase dilacerado pela chuva.

                                                                                                        Beijos de seu soldadinho de chumbo

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Aracaju-SE

soldier0.jpg

Minha pequena e querida bailarina,

Quanto pesar e quanta ânsia não? Queria assim como o poeta ser uma cicatriz risonha e corrosiva, e por isso resolvi escrever; são dois ou três motivos. O primeiro deles é porque a lua está cheia e não consigo aquietar-me dentro desse casulo sem que transponha em sentidos ou sem que eu tope no caminho com o papel e sinta-o dentro da maciez que iradia ela. Comecei a escrever um email, era uma fuga para os teus carinhos. Imagino que a essa hora também estivesse admirando-a sem reservas, e esse é o segundo motivo pelo qual escrevo. Como poderia ser a cicatriz risonha e corrosiva, como sentiria-te brincar em minha mente feito bailariana? como, se sei que não poderias dessa forma absorver a doçura bruta que tem o papel? Não sentiria mesmo que inconscientemente sua mão deslizar sobre meu dorso nu a medida em que consumisses cada letra com o mesmo blilho que tens no olho qunado vês a lua.

Minha pequena bailarina.. só então percebi que as pessoas estão abolindo a carta e senti medo. Senti medo ao imaginar-te jogando ao lixo um email meu; senti medo de nos perdermos na artificialidade pós-moderna. Me perdoe por contar minhas horas em memórias, mas preciso que saibas que aqui o vento é bruto e ricocheteia em minha face como se fosse duras palavras de amor… Canto e num instante de ilusão caçoou de mim mesmo e de tão tolo que pareço ao escrever com linhas borradas esse vagabundo papel; posso imaginar que daqui a anos  minhas cartas estarão perdidas num relicário e mesmo com isso me vem a felicidade; sinta minhas mãos tocando suavemente seus lábios pois é dessa mesma maneira que desliza de minha mão ao papel a tinta de minha caneta. Não é uma pena; vês que tudo se dissipa com o tempo? Peço que não dissipe-me rasgando esta carta; guarde-a como se fosse a mim, como se fosse a lua pela ultima vez. Lembre que a qualquer momento as paredes irão ruim e que o sol precisa clarear o céu.

Toda a treva se desfaz quando sinto que o vento me carrega, mas sinto medo por ter apenas uma perna. Penso que sou menos do mundo do que ele é de mim e busco a cada instante o apoio de minha perna que falta em seu coração de papel. Tenho medo que eu viva sempre e sempre volte para a caixinha de brinquedos da qual sai; e que minha trajetória seja vê-la em seu castelo de papelão a cada vez que a tarde nos trouxer a lua. Não sou tão valoroso quanto os outros soldadinhos. talves seja imprecindível chorar e por isso as letras na carta estão borradas; não joguemos também as cartas e todo o proceso de escrita, de entrega no correio ou mesmo a selagem, dentro da caixa de brinquedos. As cartão são as verdades que a rigidez do rosto consegue esconder… Escutei em algum lugar que a saudade é como arrumar o quarto do filho que ja morreu. Eu não quero levar comigo minha pequena bailariana mortalha do amor.

 

de seu soldadinho de chumbo, adeus.

22.02.2208

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