CENSURAR NINGUÉM SE ATREVE!

17 06 2009

Itabaiana-SE   

Carroceiro…

Receio que essa carta te cause sensações estranhas. As senti diversas vezes e todas em silêncio. É verdade que algumas delas, as muitas, eu calo; não entendo porque cargas d’ àgua eu recei tanto as palavras. Rato na Escola NavalDesejei algumas vezes em muitos dias e horas diversas não conceber o dia em que meus pés seguiram uma dança entre compassos desconcertados, porque teus pés não seguiam iguais aos meus.

E não entendo então o porque de eu achar que por mais que você finja ser longe, distante as vidas, eu sinta você sempre um passo diante de mim. é como um dia de chegar e sei que não virá. No fundo nunca o soube ter, nunca o quis partilhado e meu egoismo não me deixa ver que eu te amo.

Ora, então amar não é ser liberto de toda e qualquer predisposição ao medo? Não é senão o ato continuo de sentir cada rusga dolorosa ou não de um riso distante? E como então eu posso dejejar-te como modelo do que sonhei pra mim? Como posso dizer-te que as línguas falam a mesma boca se as bocas são fartas e tantas quantas o desvelo de querer o vento?

O tempo. Exíguo eu sei. Mas o medo, a sensação de não me sentir querida é muito além do que teus olhos me dizem quando se negam mutuamente nos espaçose por isso me calo, e cogito possibilidades imensas sobre o que não quero ver como real e que tá posto. Nunca vou compreendê-lo, e isso não me fere tanto, não mais do que o fato de que nunca mais veio ter conosco aqui, que não me veio nunca numa carta ou mesmo quando sinto teus beijos entranhados em minhas carnes e isso me fere por não tê-los todos os dias.

Mas sei que o apego pra você vem em outra percepção e que a fidelidade que me tens eu é quem a jogo por baixo do tapete, para não naturalizar o fato de que te tenho intensamente e em verdade às vezes em que me sufocas em silêncio.


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19 respostas

18 06 2009
Vivi

Lembrou-me o dia que conheci a sensação de andar na roda gigante. A sua altura, suas cores, sua velocidade me assustaram e eu enfrentei esse medo apesar de tê-lo em uma proporção quase sufocante. O medo lá em cima ganhou uma sensação de liberdade e bem-estar,e eu parecia poder voar,por minutos me senti como queria: via td de lá de cima e os problemas pareciam-me pequenos e insignificantes. A tristeza se dá qdo vc percebe que td aquilo q te faz bem tem hora marcada p te deixar, e a roda gigante parou. As pessoas lá embaixo me perguntaram: “E aí teve medo ou gostou?” (como se eu não podesse sentir as duas coisas ao msm tempo).
Eu deveria mesmo ter descrevido td o desconcerto que causou em mim, todos os medos- que eu gostava e fazia questão de ter- , tda a insegurança, o bem-estar, a felicidade e o vento que passava forte por mim, soprando a plenitude daqueles momentos e a chegada da despedida. Por que td acontecia assim: muito rápido, e eu perdia o mundo q escolhi p mim em segundos.
Eu queria permanecer ali e não lá embaixo em silêncio. Por que o tempo não pode ser congelado se as pessoas podem ser rodas gigantes?

De: Vivi (se sentindo o eu lírico)
Para: minha roda gigante! =P

18 06 2009
Janaína Moraes

Escreve perfeitmante bem.
Estou aqui perdida em meus pensamentos, sem conseguir colocar em ordem para lhe escrever uma resposta.
Adoro textos assim, que mechem com sensações até então adormecidas.

Parabens…

http://aindamaisestorias.blogspot.com/2009/03/o-tigre-branco.html

http://aindamaisestorias.blogspot.com/2009/05/paul-arden-e-seus-dois-livros.html

18 06 2009
erich

A arte de amar, ser amado, ter a felicidade e SER a felicidade … a dualidade do TER e SER é complicada e pode derrubar qualquer sonho de harmonia.

19 06 2009
João Paulo

Urubu, meu filho, sepulte o seu coração, o amor é líquido e bocetas são indestrutíveis. No mais, faze o que tu queres, há de ser tudo da lei, pra que perder parcela de tempo a censurar alguma pessoa? Nos tornamos felizes, na medida em que vamos nos enganando e suvertendo o sito CERTO. Xero

19 06 2009
urubu

Acho que nãome atrevo a censurar, e por isso os medos, e depois, lendos eu comentário lembro de quando me veio através de seus lábios desgrenhados e insanos numa manhã em que fazia sol, Bukowiski e me disse que quando a boceta engole o pau, leva junto o coração….

Se atreves então a censurar?

19 06 2009
João Paulo

Rapaz, Bukowski era muito doido… No mais, se se leva o coração não é porque nós desejamos.

20 06 2009
Michele

Olha, as vezes eu penso e acho muito certo o trecho de uma musica do Jota Quest…”será que amar é mesmo tudo?”

abraços

20 06 2009
Rubens Rodrigues

Bela prosa, tão romantica. Bonita mesmo.
É como vc disse, o amor fere de verdade, mas não h´como censurar.

20 06 2009
Alan Salgueiro

O sufoco e o silêncio, o grande tocante! Desfecho ímpar!
Busquei algumas relações do texto com o rato, mas desisti no meio da leitura, visto que a construção tendia a outros caminhos, muito bens construídos, por sinal!

20 06 2009
MoizaCARTUNS

O amor, meu amigo, infelizmente ainda não nos retira o egoísmo. Continuamos sentindo medo. Mas, ao menos, temos com quem consolarmo-nos, ou a quem consolar. Intimidade alguma nos permite saber exatamente quem é quem mais amamos. Na verdade, mal temos tempo pra sabermos quem nós mesmos somos.

Belo texto, cara! O amor??? Como explicar? Como censurar?

Abraços o/

20 06 2009
Jean Bitencourt

Ótimo texto, parabens pelo blog!
Abraços…

21 06 2009
Fábio Flora

Seu texto tem bom ritmo, mas peca por se levar muito a sério. Atenção no uso do porquê: “E não entendo então o porque de eu achar” (neste caso, “porquê”). Abraços e sucesso com o blog!

25 06 2009
joao

Soldadinho de chumbo, se és um soldado, tens uma guerra e, se tens uma guerra, tens uma causa. Por qual divisão lutas? Qual a tua causa?

25 06 2009
urubu

Sim, meu caro amigo joão, existe essa luta, ams é uma luta de ego. Depois de tantas cartas acabei descobrindo que a minha luta é contra mim mesmo, contra todos os medos e principalmente de me perder no meio do caminho. Já disse em outras cartas que sou frágil, tenho apenas uma perna…

27 06 2009
joao

Meu caro, indico-te a leitura do poema “Da Fuga” do García Lorca. Não faço isto no intento de dizer que tal gande-espírito esteja instituído de verdade ao proferir as palavras que compõem aquele poema, mas, na verdade, peço-te isto para vês que “as rosas buscam na frente uma dura paisagem de osso e as mãos do homem não têm mais sentido
senão imitar as raízes sob a terra.” Caro Urubu, não há guerra nenhuma, viver é preparar-se para a morte. Ou não? Quem sabe os maçons não guardam algum segredo sobre isso? Digo-te uma coisa… é preciso estar sempre com o coração transbordante de Deus, buscar sabedoria e a beleza. abrs

2 07 2009
Lou

“Sim, meu caro amigo joão, existe essa luta, ams é uma luta de ego. Depois de tantas cartas acabei descobrindo que a minha luta é contra mim mesmo, contra todos os medos e principalmente de me perder no meio do caminho. Já disse em outras cartas que sou frágil, tenho apenas uma perna…”

Sim, há guerras. Há ‘ratos’ e amor também. E da alegria ou da tristeza sabe bem e tão somente importam a quem sente. Continue sentindo e escrevendo! Até a dúvida da vida ser desfeita, não há nada mais sensato (ou não).

6 07 2009
Victor

Acho que censurar é um dos pecados que cometemos que ñ podemos julgar as consequencia que ele vai nos trazer…
as vezes irreparevéis,……

29 09 2009
Dany Ismerim

aiin..que lindo o texto *-*

8 10 2009
Érika dos Anjos

Adorei esta frase:

“e em verdade às vezes em que me sufocas em silêncio”

Mas, para os meus pensamentos colocaria:

“as vezes em que me sufocas em silêncio”.

Perturbador!

Beijos

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