Quase tudo quanto fosse natural

26 08 2008

 

Aracaju-se

Quanta saudade meu doce soldadinho de chumbo

A espera é quase tão lasciva quanto o medo. E eu sempre me perdi em meio ao tempo. Peço que se isente de qualquer dor e sinta essas linhas como se fossem meus dedos em teu rosto, como se fosse aquele primeiro olhar timido e tão silencioso que mais pareciamos partes perdidas de algo que só conheceriamos mais a frente. Recebi todas as tuas cartas e as lí como quem precisa desprender-se de algo e buscar a busca. A verdade é que sempre senti medo e fui egoísta a ponto de não conseguir largar de vez a minha caixinha de brinquedo. Sei o quanto te doi a espera por alguma resposta minha mas meu coração é de papel  e não sente igual aos outros. Cada um sente sobre perspectivas distintas e eu sempre o amei tanto que o afastei como que para me proteger da dor.

Então como pode haver paz se sou uma bailarina com o coração que a qualquer chuva pode se rasgar e mesmo você um bravo soldado de chumbo que se sustenta em apenas uma perna? Não estou falando de diferenças em si, não é isso. Mas o fato é que nos amamos tanto e somos tão distantes. A minha fragilidade construida com esse ballet todo impede-me de abandonar  o lago dos cisnes, e não seria cruel se te pedisse que dançasse essa obra comigo? No fundo sei que também sentes muitos medos, e os laços que te prendem aí são louváveis, mas te corroem em silêncio e como pode isso se foi você mesmo que um dia quando estavamos frente a frente alí sentados que me disse que o maior pecado é o silêncio que corrói a alma?

Ao menos fica a certeza de que em nenhum instante eu deixei de amar-te como quando aquele dia em que cansados ficamos olhando um nos olhos do outro e com isso foi-se todas as estrelas e o céu apagou-se num clarão que trazia o sol para raiar o dia. Meus olhos pesaram por vezes aqui sozinha e sempre busquei a ti, sempre o sentia em mim cada vez que recebia uma carta sua e não as largava por semanas. Ao lê-las meu coração de papel até pareceia possui veias e bombear amor, e quantas vezes pensei em largar de vez o ballet e ir ter com você meu doce soldadinho de chumbo.

O amor é como um objeto não identificado e por mais que me doa essa distancia toda não sei de mim as verdades e a força para seguir rumo a ti. A saudade é o pior tormento. Faz muito tempo que não mandava uma carta a alguém e nem sabia bem por onde começar.  Tenho medo que não me esperes mais, tenho medo de me perder em mim mesmo e não ter-me dado oportunidade de ser. Tenho medo que um dia você também me esqueça.

Quero que você me dê a mão… De sua bailarina


Ações

Informações

49 respostas

29 08 2008
Nazi

Caro Soldadinho de Chumbo, vejo que não tens mais o porque de desistir da bailarina,assim como a caixa de brinquedos é sua prisão a caixinha de música tambem se torna uma prisão pra sua amada bailarina, espero que não percas a esperença, e que lute por esse amor tão declamado pela bailarina, e que essa carta possa servi-lhe de estímulo a não mais parar de escrever a ela.
Ando “viajando” mundo, e nas “viagens” que faço nunca vi amor tão repleto de poesia quanto o de vocês, um amor tão amado, mesmo distante, por carta contemplado……..
quando parar de “viajar” um pouco, passo pra lhe fazer uma visita………
Queres “viajar” comigo?………
Xerus, caro amigo.

29 08 2008
robinson rogério

não concordo q o amor seja um objeto não identificado,o amor são duas mãos q tapam nossos olhos,eu acho.

abraços

29 08 2008
a flor e a náusea

Resposta do Soldadinho Falsificado:

Não, jamais te darei mão alguma. Até porque minha mão é artificial, feita de plástico-chumbo; assim como seu coração é de papel.

Não sinto nada. Todas as minhas ações fazem parte do espetáculo. E, se quiseres atuar junto comigo, talvez dancemos uma bela dança. Nesse caso, somente nesse caso é que aceitarei tua companhia. Tens de saber atuar, ser uma competente atriz. “num mundo realmente invertido, o verdadeiro é o momento do falso”.



A pior resposta é “o silêncio que corrói a alma?”

De fato, meu bem. Por isso digito aqui minha amargura, meu tédio e minha total falta de amor.

Se tenho saudades e se o amor me falta ?

Na verdade em mim falta de tudo, por isso não passo de nada. Não passo de um soldado fabricado por uma multinacional. Nada que digite ou faça parece acabar com minha artificialidade.

Como pode um relógio viver? Pode um boneco se revoltar contra seu dono? Sou feito de chumbo e minha única verdade é minha mentira desgraçada.

[i]ps:Desculpe pelas palavras feias. Talvez um dia eu consiga sentir alguma coisa.

29 08 2008
Rodrigo

Bem intrigante

29 08 2008
Yury

bela imagem e texto muito bom… parabéns.

29 08 2008
Andréa

Talvez a imagem usada no texto revele o ponto ápice desse contexto!!!
a bailarina está de costas…. de costas para o amor…. soldadinho, vc precisa ser realmente de chumbo para suportar essa dor!!!!

Abraços :)

29 08 2008
urubusputanus

Não sinto nada. Todas as minhas ações fazem parte do espetáculo. E, se quiseres atuar junto comigo, talvez dancemos uma bela dança. Nesse caso, somente nesse caso é que aceitarei tua companhia. Tens de saber atuar, ser uma competente atriz. “num mundo realmente invertido, o verdadeiro é o momento do falso”.

e se não sentes porque chora a doce flor e a náusea? Um relógio não pode ter vida, porque aprisionamos todos os segundo em caixinha que levamos no braço. Somos mecaniscos em tudo, mas acredito no amor da minha bailarina. A espera é de fato lasciva, mas pior é ter a certeza de ficar para trás.

29 08 2008
bruna

A espera é tão lasciva quanto o medo

30 08 2008
Mayna Nabuco

A Soldadinho de Chumbo…
Fique feliz por ter descoberto o que é o amor, mas não esse que considera um objeto não identificado, e sim o que te fez sentir vivo, e não somente um brinquedinho feito de chumbo.
Parabéns pelo texto!

30 08 2008
Nazi

Não sei se a bailarina se encontra de costas para o amor, mais como ela bem coloca na carta, sendo o coração feito de papel, o cuidado ao máximo para não desmantelar o amor que ela sente pelo nosso soldadinho significa o cuidado que ela tem pra que esse amor não se acabe.
A resposta que o soldadinho dará a vbailarina não será respostas duras, serão respostas amarguradas pelo tempo, mais não feias ou sem amor….
Acredito no amor desses dois mundo tão distantes, mais não diferentes, talvez indiferentes, mais não tão longíncuos que a palavra distancia possa significar.
A crença no amor não se traduz só nas palavras que a bailarina possa descrever ao soldadinho, mais quando eles se encontrarem esse amor sim se reflitira nas ações loucas de amor que eles realizarão……

30 08 2008
thalita

“…e eu sempre o amei tanto que o afastei como que para me proteger da dor.”

amei a resposta da bailarina! =]

xeroOoO

30 08 2008
Ane

Que lindo! Texto envolvente!!

Entendo um pouco o lado da bailarina! “…e eu sempre o amei tanto que o afastei como que para me proteger da dor.” Me identifiquei com essa frase!

Abraços e parabéns pelo texto! =)

30 08 2008
Jonatas

Gostei do texto e acho que a imagem já resume ele tão bem e completamente que só ela já vale o post. De costas para o amor, ignorando o Soldadinho, seguindo seu próprio caminho sem olhar para trás. Bacana!

[]’s

Musikaholic

31 08 2008
quezia

SIMPLESMENTE ,.INCONTESTAVELMENTE SENSÍVEL.
CARO SOLDADINHO DE CHUMBO SER AMADO DESSA FORMA É DOLORIDO,MAS COMO BOM SOLDADO NO FIM DA LUTA TERÁS VITÓRIA.

1 09 2008
Guilherme

legal o post
só acho que vc deve dar umaa rrumada no layout
tu viu como fica embaxo?

abraços
http://blogaragem.blogspot.com

1 09 2008
ROSANGELA

Eu adorei o texto.. sensivel e intrigante.. apaixonate..

Parabéns..

Hj estou precisando estutar, ler e sentir que existe amor!!

abç..

1 09 2008
Salvador Lucas

Também não acho que o amor seja apenas um objeto, amor é um sentimento e se a bailarina ama realmente o soldado, com certeza o amor existe nela. Muito intrigante o texto, muito bom.

1 09 2008
leonardo

Muito bom o texto…
bem legal o blog

Abraços!

1 09 2008
Erich

Poxa vida … texto belíssimo..cometários bem interessantes…q diálogo heim?

1 09 2008
victor hugo

a saudades eh realmente o mais perigoso e doloroso dos sentimentos..laços sublimes que nos unem..até quando tu amor vai nos prender em laços sublimes tristes e mortais?melhor a dor da ausência.

1 09 2008
Camila Passatuto

O texto é lindo…

O amor, a saudade, as diferenças, o medo….sem essas coisas acho que não haveria graça.

1 09 2008
hipermétrope

É difícil definir o que é o amor, mas com certeza ele não é um objeto não identificado. :)

Ele é muito mais que isso.

1 09 2008
zer0o

O texto é lindo…
a saudades eh realmente o mais perigoso e doloroso dos sentimentos..

http://www.chacota.rg3.net

2 09 2008
marcelo

Uma carta da bailarina ao soldadinho como final da carta da Dora, em central do Brasil , com o eterno medo que também a esqueçam…
Bem intertextual.
Gostei…

2 09 2008
Yuri

Opa!
Nossa! Que show! Muito bom mesmo! :)

É… Às vezes tem umas diferenças que insistem em obstruir o caminho… Mas de que valem essas se o que realmente importa é aquilo que se sente?
Coração de papel hoje em dia tem outro significado, pelo menos penso assim, é ‘amor’ que não presta; mentiras.

E como disseram, amor não é um objeto não identificado… É muito mais que isso,

“Ao menos fica a certeza de que em nenhum instante eu deixei de amar-te (…)” Só essa parte é a que vale, mesmo com desencontros, rotina… Quando se ama, essa é a parte que vale!

Ótima postagem cara, de boa!

É isso aí…
VLW!

2 09 2008
Levi Ventura

Muito Boa Carta
Excelente mesmo

2 09 2008
Mayna Nabuco

Já passei por aqui.

2 09 2008
beto

cara… muito legal lay out nota 10
e bem separado
parabens!

2 09 2008
JM

Bom blog
parabenss

http://www.medob.com.br

2 09 2008
Marcos Costa Melo

Muito bem escrito, com um certo toque de melancolia e algumas frases cortantes. Parabéns.

2 09 2008
Pedro Junior

Muito bom o texto “O amor é como um objeto não identificado ” concordo com vc em gênero, número e grau… adorei da formo como vc brinca com as palavras muito bom, voltarei mais vzs, passa lá no meu blog dpeois

2 09 2008
karla hack

Uma Carta cheia de sentimentos..
As vezes amar não basta, tem as diferenças, a distância, as dificuldades…
A saudade é com certeza o que mais incomoda, e demonstra o quanto ainda se deseja algo…
Gostei da delicadeza intensa como foi escrita!

;D

bjus

2 09 2008
Paulo

Nossa muito bom o texto, legal mesmo, você é o cara. Abraço.

3 09 2008
a flor e a náusea

” o amor é feio, tem cara de mijo, nos mete medo e não tem compromisso. ”

eis o retrato dos romances modernos.

estive a reler seu texto e achei incrível essa sua capacidade de ir contra a corrente mesmo ao falar de um sentimento ordinário ( comum ).

:)

isso é que ser libertário!!!

ps: a espera é de fato lasciva. Espero ansiosamente que o soldado responda a bailarina.

4 09 2008
Fernando Gomes

objeto não identificado?
acho que pro soldadinho está mais do que identificado.
ele sofre, espera e anseia.. está muito bem identificado.
;D

texto muito legal e a proposta do blog está interessante também.

;D

4 09 2008
Nério Júnior

Muito bom seu blog, vc escreve muito bem…

4 09 2008
rosangela

CONSEGUI!! RSSRS

eu já li esse seu texto, e comentei ..

mas não custa nada elogiar mais uma vez ..

amei .. está lindo ..
quero ver o proximo ..

Bjs .. Urubu!!

4 09 2008
Dudu

O tempo é apenas o espaço entre a causa e o efeito… E o amor é um ‘objeto identificado’ lol

4 09 2008
jeffisu

não concordo que o amor seja um abjeto não identificado…

é dificil decifra-lo, mas dizer que ele não é identfica… acho que é só uma questão de opnião ne?!

parabéns pelo texto!

http://www.cupuladosleprosos.blogspot.com

4 09 2008
Ronaldo

grande, porem bom, texto assim são legais de ler

uma vez eu encenei a peça do soldadinho de chumbo ;0)

4 09 2008
Blog Esponja ®

Muito bonito o texto.
O amor é algo tão estranho quanto bom de se viver.

O problema é que nem sempre é possível aproveitar deste amor sem se privar de muitas coisas boas da vida.

As vezes a própria vida atrapalha um grande amor.

5 09 2008
Patrycia

Ai! Adorei o texto. Muito sensível e melancólico também.

5 09 2008
henrique

o q mais poso dizer???
ótimo texto….
lol

5 09 2008
Girl Butterfly

Oieee!!

O amor é um sentimento inexplicavel, incomparavel…A saudade dói demais…mas a distância acaba tornando-se mero detalhe..perto do tempo!! As vezes a carta é a melhor soluçao pra qualquer coisa…vc escreve meio q sem c procupar com quem está lendo..c preocupa apenas com seus sentimentos! Tbem tenho medo que não me esperem mais, tenho medo de me perder em mim mesmo. Tenho medo que um dia também me esqueçam.
Mais tenho medo de não acreditarem na intensidade do meu amor, e de duvidarem de como eu sou feliz amando… E do modo como eu escoli amar alguem e de quem amo!
O coraçao tem razoes, que a propria razao desconhece…quem sou eu para ir contra sua vontade..e dizer NAO AMO, NAO QUERO!!!
Eu nao tenho forças pra lutar contra meu coraçao..mesmo c eu quisesse!!!

O amor…tem infinitas formas e definiçoes!!
Podendo trazer alegrias e tristezas…

Mas as vezes eh decepcionante pensar uq um sentimento pode fazer com as pessoas..ainda mais qdo ele não nos faz bem!
Mas é lindo de c ver e d c presenciar..qdo ele nos faz bem demais!!

Beijooo!!!

10 09 2008
Juliete

Nussa, que lindo esse texto…
prende a atenção da pessoa, faz refletir…
fala de amor… enfim…
está de parabéns!! Adorei o texto!

29 09 2008
Wesley Soares

E eu muito crente de que há uma bailarina a ponto de explodir em agonia, em ânsia interminável e crescente… posso dizer duas coisas, que os pedaços não caiam em mim, e que tomes mais cuidado em uma possível próxima vez…

Beijos!

19 10 2008
Lucas

“Peço que se isente de qualquer dor e sinta essas linhas como se fossem meus dedos em teu rosto…” eu imagino as linhas tomando formas de mão…muito linda essa passagem serio mesmo!!

23 10 2008
Larissa

Quando li, pensei no coração da bailarina. Encharcado, tornando-se iminente o desgaste. A passagem que Lucas citou é realmente marcante.
;*

14 12 2008
miria soares

Texto sensível, melancólico e forte ao mesmo tempo…

Deixe um comentário