Camafeu

11 07 2008

 

 

 

 Faço das mãos periscópio.

Como uma pintura intima

Modelo a massa.

Retalho um vale fosco

Num corpo imperfeito e mole.

As mãos molhadas de orvalho

Desenham sobre exausta figura

O desejo e a maçã.

A pureza imperfeita do barro em minhas mãos

Imobiliza meus instintos.

Suspira a vida.

Fecho os olhos e tudo me vem.

Como mãos a me guiar

Retalho insigne pecado

E de um nariz afilado

Absorve todo o barro.

Resquício de camafeu.

 

 

 

 Menção honrosa no I prêmio Tobias barreto de poesia. Aracaju, 17 de agosto de 2005

 

 

 

 

 


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25 respostas

11 07 2008
Trancinha

humm… tive q procurar camafeu no google pq n lembrava o q era.. hauau

mas bem interessante!

12 07 2008
Saulo

no q vc pensava qd escreveu? Oo
\o/
kkk

12 07 2008
Marcio

Meu querido irmãozinho Urubu…
Pois é, dessa vez não escapei e irei comentar no seu blog, mesmo que eu não saiba muito bem definir o que vem a ser um.
Mas é isso aí, deixarei a enrolação e a putanice de lado e…
Vamos ao que interessa né?
Lendo o seu poema, fico a imaginar como seria esse tal Camafeu…
Assim como ” o desejo e a maçã” e a “impureza perfeita do barro”
Consigo vizualiza-lo como um belo Camafeu e vejo que tens um nariz belo e afilado parecido com o meu.

12 07 2008
urubusputanus

Então o tempo todo desejei vocÇe sem saber maninho? huahauhauahu

12 07 2008
Elias de souza

Meu caro Urubu,
admitidamente, vc tem uma capacidade ímpar de criação. E tem um detalhe que eu já percebi em outros textos seus: a sensualidade. Acho que já li uns três a quatros textos seus, e já percebi que a sensualidade é um traço marcante em sua escrita. Lembro-me de um texto em que vc dsecrevia uma moça de figura ingênua, e então como se voce se transformasse em sol a ponto de fazê-la desabrochar, e mostrar a perfeição de suas formas. Neste poema encontro essa mesma preocupação: a criatura descrita da a impressão de ser desprovida de malícia”A pureza imperfeita do barro em minhas mãos”; ao passo que depois voce descobre a beleza, o desejo, o pecado no sentido mais puro da palavra “Desenham sobre exausta figura O desejo e a maçã”; “Como mãos a me guiar Retalho insigne pecado”; e voce mostra no texto, ou eu que encherguei, nao posso afirmar, a arte possibilita essas brechas, que voce a faz mulher “Retalho um vale fosco Num corpo imperfeito e mole”.

Parabéns pelo texto.
Muito bom.

Sem mais,

eliasdesouza

12 07 2008
Elias de Souza

Meu caro Urubu,
admitidamente, vc tem uma capacidade ímpar de criação. E tem um detalhe que eu já percebi em outros textos seus: a sensualidade. Acho que já li uns três a quatros textos seus, e já percebi que a sensualidade é um traço marcante em sua escrita. Lembro-me de um texto em que vc dsecrevia uma moça de figura ingênua, e então como se voce se transformasse em sol a ponto de fazê-la desabrochar, e mostrar a perfeição de suas formas. Neste poema encontro essa mesma preocupação: a criatura descrita da a impressão de ser desprovida de malícia”A pureza imperfeita do barro em minhas mãos”; ao passo que depois voce descobre a beleza, o desejo, o pecado no sentido mais puro da palavra “Desenham sobre exausta figura O desejo e a maçã”; “Como mãos a me guiar Retalho insigne pecado”; e voce mostra no texto, ou eu que encherguei, nao posso afirmar, a arte possibilita essas brechas, que voce a faz mulher “Retalho um vale fosco Num corpo imperfeito e mole”.

Parabéns pelo texto.
Muito bom.

Depois eu aviso a Chico Buarque pra tomar cuidado, porque voce está querendo roubar o tpitulo dele de arqueólogo da alma feminina. hehehe!

Sem mais,

eliasdesouza

13 07 2008
Diogo

Acho bem construído, embora eu não acredite que saiba ainda decifrá-lo como gostaria.

E además, gostei da análise do Elias, exceto “o pecado no sentido mais puro da palavra” (não concordo nenhum pouquinho que isso exista).

Parece-me impressionista sem saber no que encaixar direito.

Parabéns pela criação e pelo prêmio.

13 07 2008
urubusputanus

Acho que o pecado no sentido da construção do próprio abismo: ao construir a forma em questão saberia que iria ceder a tal belea, por conta do desejo….

Também não acredito em pecado, e na verdade nada existe tudo é criação.]]=[=

^^ Mãozinha, você me emociona assim rapá. huahauahuahuahu.

13 07 2008
Elias de Souza

Outra coisa interessante, meu caro Urubu, é que voce nao descreve a protagonista, mas temos a impressao – pelo menos eu tive – de que ela é linda, ou pelo menos se encaixa perfeitemente nos padroes de beleza do tempo no qual estou inserido. Enato voce acaba deixando essa dúvida quanto a forma do personagem, mas nos da a certeza de que se trata de uma pela figura pq quem nerra é o proprio criador.
Genial.
Voce ja leu Dom Casmurro? te lembra alg? he he he…

abraçoes

eliasdesouza

14 07 2008
Kelvin F

realmente essa poesia merecia menção honrosa…ela é linda. Mas não sabia que havia tal prêmio

14 07 2008
Igor Diniz

Oi meu amigão ,passei aqui para deixar o meu comenterio…
Eu achei esse seu blog de mais ,mostra todo o seu de encantar as pessos e fa quem ler se sentir um poco perto de voce,ja que a vida anda corrida e nao da tempo de nos vermos ,mas essas palavras ai escritas alivia um pouco a essa saudade!!!!!!!!!!!
Parabens e abraços!!!!!!!!!!!!!

15 07 2008
Testa

opa rapaz..

a poesia que lembra também pintura, escultura, musicalidade, com sensualidade…
Enfim, arte.

Abração..

escreva sempre.
Eu também devia cultivar esse hábito.

16 07 2008
a flor e a náusea

as palavras e as coisas
e as redundâncias
e as repetições
e as incoerências
e as contradições
e as rupturas

elas e eu
e nós
e os outros
e aqueles
e aquilos
e a impotência

e a tentativa
e a persistencia
e a necessidade incontrolável, o desejo
e a estupidez e a vaidade humana

e a estupidez e a persistencia
e a tentativa
e mais outra
e outras
e as paradas
e as corridas
e as vitórias

e todas elas ficam pequenas
quando lemos o seu poema
retrato tão bem pintado
ou melhor,
argila tão bem trabalhada
que o camafeu se tornou
uma verdadeira jóia

é muito bom ser amiga de ourives!!!

17 07 2008
Levizinhum

Nem sei oq falar…

mas fui forçado kkkkkkkkkkkkkkkkk

abração voador

24 07 2008
24 07 2008
urubu

Sim, tudo nesse blog foi escreito por mim

1 08 2008
Antonoly
2 08 2008
BENTO

Adorei a publicação da poesia.

Bons momento aqueles de fazer nada, vc em 1°, Jagna em 2° e minha pessoa em 3° com Vida Digital::::::::::

Muito bom!!

2 08 2008
BENTO

Pow !! Cara mt bom!!

Tava esquecido dos tempos que não faziamos porra nenhuma!!

* Menção honrosa no I prêmio Tobias Barreto de poesia, Agosto de 2005

e eu fiquei com o 3° lugar – pense Eu escrevendo Poesia e ganhando prêmio, naquela época nem imaginava nisso!!

e nossa amiga Jagna que ficou em 2° ::::::::::::

Foi ótimo lembra daquele dia especial::::

Amigo Abração, e vou te mandar sim outro para vc’s !!
thau!!

3 08 2008
Danilo

Que bonito. Gostei muito na escolha das palavras, dá pra ver o seu cuidado ao lapidar o texto. Parabéns

3 08 2008
Camila Passatuto

Um ato de moldar uma jóia…na mão de um poeta: outra jóia.

Mto lindo o texto

2 09 2008
faure

As mãos molhadas

Num corpo imperfeito e mole

O desejo

As mãos molhadas

insigne pecado

As mãos molhadas

1 12 2008
FelixCatus

A argila, o barro. Eles demonstram que a criatividade infinita. E aqui parece ter um manancial.

16 03 2009
Nano Botelho

Meu escritor, parabéns pelos lindos textos. Vejo-o cada vez mais perto do estrelato. Gosto como conduz as idéias e organiza os vocábulos. Seu jogo de palavras fascina o leitor porque expressa a sua autenticidade. Siga em frente…Você veio ao mundo para brilhar. Quero acompanhar de perto a sua evolução e, tenha certeza, estarei sempre de prontidão para saborear-te.
Meu caloroso abraço e todo sucesso do mundo.
Nano Botelho

18 03 2009
João Paulo

Eu gostei desse poema.

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