Não queria começar falando explicitamente sobre “tudo sobre minha mãe”. Talvez nem devesse fazê-lo, mas não há como. Foi através desse filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar que pude penetrar a fundo o mundo de Alberto Iglesias.
O nome nem é conhecido por aqui na terra da Bossa Nova, talvez nem muito conhecido seja por aí a fora, porém sua obra é de grandiosa valia para o mundo cinematográfico e musical. Alberto Iglesias é responsável pela trilha sonora de alguns famosos filmes espanhóis como “Fale com ela” e “Má educação”, todos de Almodóvar.
Iglesias vem se consolidando como um grande compositor de trilhas sonoras, e não é a custa de pouco esforço, porém de um notável talento; o compositor espanhol já conta em seu currículo com uma nomeação ao Oscar (prêmio concedido pela Acadêmia de Artes e Ciências Cinematográficas). No ano de 2005, platéias de todo o mundo pararam para escutar a doce trilha sonora do Filme “O jardineiro fiel” do diretor brasileiro Fernando Meirelles que havia sido indicado ao Oscar.

É com a mesma doçura que compôs a trilha do “Jardineiro fiel” que Alberto Iglesias assume no ano de 1999 a direção sonora de “Tudo sobre minha mãe”, e é também com a mesma força que ele repete a fórmula com que se inaugurou no cinema ao fazer a trilha do longa metragem chamado “Vaca”, do diretor espanhol Julio Medem, no qual Alberto Iglesias faz uma descrição do bosque, lugar central a partir do qual nasce e morre a história e seus personagens.
Chamá-lo-ia aqui de Realista, porque é assim que ele se apresenta e faz de sua obra uma marca descritiva e fiel a cada cena e personagens. Em “Tudo sobre minha mãe” não é diferente, e trás outra característica não tão comum ao agrado dos expectadores: toda a trilha sonora instrumental, tendos apenas uma única canção cantada, Tajabone. Iglesias é cabal ao buscar no limiar de cada cena a emoção de cada contexto descrito no filme de maneira a associá-lo ao seu tema, nomeando por vezes as canções de acordo com a cena; isso acontece com a canção “Não gosto que escreva sobre mim”, originária da cena em que Manuela conversa com o filho, Esteban, às vésperas de seu aniversário e em que ela ao saber do filho que ele escreve tudo sobre ela; diz a ele que não gosta de saber que ele escreva sobre sua vida; assim, o faz também quando Manuela decide ir visitar o receptor do coração de seu filho Esteban que morre num acidente de carro no dia de seu aniversário, numa visita literal ao coração e às memórias do filho morto. Tal canção é coroada com o título que mais parece um pedido agoniado sob o embalo forte dos violinos: “Trás o coração de meu filho”.
Essa é, talvez, a característica mais viva de um compositor que sabe dosar a comicidade e a dor. E vai além; faz uso de elementos cotidianos na cultura musical de seu povo e trás para o filme ora a batida forte da música cigana ora a tristeza e sensualidade absoluta do tango.
Alberto Iglesias foi sem dúvida um grande colaborador para que o filme “Tudo sobre minha mãe”, concorrente ao Oscar de melhor filme estrangeiro do ano de 1999, fosse consagrado como o favorito do público e dona da estatueta. Com isso, Alberto se consolida não como um bom compositor de trilha sonora, mas como um músico de alma, que vai além do que diz visualmente uma partitura; ele toca-nos, tocando as feridas de cada personagem que se encontra na dor e alegria do expectador.
by: Urubu
Grande, grande! Parabéns pelo texto, urubucas. Alberto Iglesias é fera, muito bom mesmo.
É a primeira vez que passo por esse blog, amei tudo o que foi públicado!!! Gostei muito. Agora um dica!!! Tem como você abrir pontos de discussão para todos que frequentam este blog? Abraçus. E urubu é a primeira vez que eu leio algo q vc escreve, e já dá pra ver q vc merece um cadeira na Academia Sergipana de Letras
Adorei o texto, você sabe que eu não sou um grande conhecedor do cinema, muito menos do marginal. Ainda nem assisti o filme, mas a trilha sonora´achei realmente maravilhosa. E como você disse, bem dosada, e bem ociosa, o que é magniífico, realmente representa uma montanha russa de emoções.
Parabéns, pelo texto, continue escrevendo. O blog está cada vez melhor! Estou muito orgulhoso. E que você tenha uma cadeira bem gorda e uma mesa inteira só pra você na Academia de Letras (dá pra ser mundial?)
Abraço.
pUTz… esse caRa é fOds! teM uma nOção de interpretação e leitura muuito bOa… fOra q é super gnt bOa tbm! gOstei comO vC encara as palavras e comO vc reage diante desse mundO q muitos consideram injusto! continue fazendo o q vc gosta e o q vc sabe… ta aí um futuro e promissor escritor rerere!
continue acreditando tbm e arriscando xD
fllw cara! abraçO! té+!
Cara, estou devendo a mim mesmo ver esses diretores clássicos de tão fantásticos que me parecem. Não vi Almodóvar, mas lendo o texto fiquei com uma puta vontade =D
Abraço
Hello
Eu não soube que a pessoa na carga da trilha sonora de tudo em minha mãe era mesma dessa película excelente: O gardener fiel. Agradecimentos para os dados.
Eu fecho-me sigo perto o trabalho de Gustavo Santaolalla, argentino, vencedor do Oscar pela trilha sonora de 21 gramas e aquele trabalhado também em cães dos amores (Amores Perros). Seu grupo é o clube de Bajofondo Tango (Bajofondo Tango Club).
Muito bem por Alberto Igreja.
Um cumprimento de Colômbia.
Hello
Eu não soube que a pessoa na carga da trilha sonora de tudo em minha mãe era mesma dessa película excelente: O gardener fiel. Agradecimentos para os dados.
Eu fecho-me sigo perto o trabalho de Gustavo Santaolalla, argentino, vencedor do Oscar pela trilha sonora de 21 gramas e aquele trabalhado também em cães dos amores (Amores Perros). Seu grupo é o clube de Bajofondo Tango (Bajofondo Tango Club).
Muito bem por Alberto Igreja.
Um cumprimento de Colômbia.
Querido Jonas, muito bom texto, um exemplo muito bom de comentário crítico a respeito de um filme e em especial, puxando a brasa para a sardinha que me dá água na boca, da música que preenche as cenas. Para mim, o mais interessante do texto, o que me “tocou” vem no final… talvez seja um objetivo a ser conquistado, uma proeza a ser feita: “ele toca-nos, tocando as feridas de cada personagem que se encontra na dor e alegria do expectador”. Traduzindo de forma particular, você sabe bem que é o que se deseja ao cantar… interpretar e instigar as emoções alheias.
Abraço!
opa, primeira vez que apareço no seu blog, ainda não ao conhecia.
Sabe que do Almodovar ainda prefiro Fale com Ela, que considero o mais sensível, diria até tocante… ainda vejo no “Tudo Sobre Minha Mãe” algumas coisas tão exageradas… mas com certeza ele já se desvencilhou de outras, como fica evidente no decorrer do trabalho.
falow!
sempre soube que desta árvore brotariam proveitosos frutos.
show must go on!
“The Kite Runner” ao Oscar como a mais melhor trilha sonora, aquele demonstra que você era direito com Alberto Iglesias
é alma, a música.
muito interessante sobre Iglesias, realmente eu não tinha conhecimento sobre essas informações, mas devo dizer que sim, a trilha sonora vai muito além de ” clima”. Uma vez disse um criador de trilha, que é muito além de musica de fundo, e sim, também de ruídos e de cada tpo de som escutado em um filme, que faz o clima e da emoções ao mesmo.
Musica é alma, assim como Poesia
Abraços.
Leonardo Dognani
Nunca assisti à filmes de Almodóvar,mas sempre tive vontade…
muito bom o texto!
parabéns!!!
mais uma vez estamos aqui, e dessa vez, elogiando a simplicidade e objetividade do Blog^^
parabéns rapaz, e vamos lá, precisamos de atualizações(olha quem fala)^^
abraços.
Parabéns pelo blog, infelizmente não posso falar muito sobre o assunto desse blog porque não conheço o trabalho de Alberto Iglesias
ops retificando…Parabéns pelo blog, infelizmente não posso falar muito sobre o assunto desse post porque não conheço o trabalho de Alberto Iglesias
Apesar de não conhecer nada sobre Alberto Iglesias, achei o post muito bem escrito e interessante. PArabéns!
Não conheco muito do trabalho dele…
Mas como adoro boas trilhas , vou pesquisar….
Abraços!
Essa área definitivamente não é minha praia. Mas gosto de filmes com boas trilhas, que se adaptem aos temas.
abraço,
http://comideiaseideais.blogspot.com
Ah, sempre percebo uma boa trilha, mas nunca dou muita atenção ao seu mestre…passarei a observar melhor! E Almodovár…sempre ele! Amo o filme e canção “Volver”…td de bom!
Abraços!
Cara pensei que você estivesse falando da sua mãe mesmo quando vi na comunidade do orkut, heheh, até achei estranho.
bom post!
kkkkkkk tbm pensei q estava falando de sua mae.
otimo texto!
Não conheço Alberto Iglesias mas pelo seu texto deu muita vontade de conhecer, o caradeve ser bom mesmo.
Já ouvi falar nesse filme, não sou muito chegada em filmes assim, mas…XD
Beijos