Me aconteceu de ele aparecer assim do nada: depois de uma apresentação do Renantique (grupo de música renacentista da cidade de Aracaju-SE) apresentado a mim por um amigo que também assistia ao espetáculo. Descobri quase que ao mesmo tempo a existência da rádio UFS e que aquele moço a minha frente fazia parte da estação como locutor. Era de cara um diferencial: novo e despojado dos termos tecnicos e de tudo quanto fosse convencional para estar à frente de um horário nobre mesmos endo a rádio nova na praça.
Marcones Dantas, nascido em Sergipe e contando agora 22 anos de idade é estudante de comunicação com habilitação em radialismo pela Universidade F ederal de Sergipe (UFS). Já tendo trabalhado em estações AM está a um ano e dois meses a frente da Rádio UFS pelas manhãs em sintonia FM e desponta como um diferencial entre as locuções já existente em Sergipe.
Sabe dosar a jovialidade e a maturidade de saber o que a sua geração quer ouvir além de ser dono de um timbre de voz pecualiar que o diferencia cada dia mais no meio da multidão.
SDC: Quando você decidiu estudar radialismo?
MD: Sempre gostei de rádio, desde pequeno. Eu além de ouvir muito, costumava fazer gravações domésticas e me divertia com isso, então decidi prestar vestibular para essa área.
SDC: Mesmo sendo arriscado ingressar numa área em que as oportunidades não são tão diversas como a do radialismo aqui em Sergipe, por que persistir nessa aspiração?
MD: Primeiro por gostar. O dinheiro, apesar de ser necessário, acredito que não deve ser o único fator na escolha de uma profissão. Ele será uma conseqüência da minha escolha e do meu trabalho; poucas pessoas têm a oportunidade de trabalhar com o que gostam, e eu sou uma delas.
SDC: A que você atribui essa restrição de mercado? Qual as perspectivas de mudança?
MD: Essa área de comunicação é pequena mesmo, principalmente em estados pequenos. Ela é mais ampla no sul, onde se concentram as grandes emissoras e cadeias de rádio. Com a internet a tendência é do profissional audiovisual, não mais aquele que só faz uma determinada tarefa, mas aquele que tem a capacidade de passar por diversas fases da produção audiovisual, seja no rádio, na televisão, no cinema, e ainda na internet
SDC: como surgiu seu primeiro contato com o rádio já profissionalmente¿ Você sempre foi um ouvinte¿
MD: Sempre fui ouvinte, cresci ouvindo rádio. Minha primeira fala no rádio foi na Aperipê AM, a convite de uma colega do curso que fazia a matéria laboratório. Depois apresentei durante 10 meses um programa religioso semanal na Atalaia Am. Nesse período a rádio ufs, emissora da qual já fazia parte entrou no ar. E eu fiz a primeira locução da emissora em 20 de agosto de 2008, e desde lá apresento um programa diário.
SDC: Sobre o clichê de que os radialistas devem ter uma voz em tons graves gritantes você surge como uma dicotomia já que consegue transmitir uma certa leveza no tom grave natural. Como lidar com essas percepções?
MD: A voz grave sempre foi muito admirada e solicitada pelo rádio. A minha voz tem um quê de grave, é um timbre mais educado, não carnavalizado.
SDC: Outro marco dessas diferenças todas e a pouca idade. Ela é fator para a manutenção do tempo de vida no ramo ou num caso oposto, ter pouca idade significa ter algumas portas fechadas?
MD: No rádio antigamente, todos começaram cedo, e eu acho que a idade não tem muita importância não.
SDC: Você acredita que ser um diferencial de idade e voz, abre portas para uma geração de meninos e meninas que podem sonhar em realmente seguirem o caminho da radiodifusão?
MD: Eu acredito que todos devem correr atrás dos sonhos independente de idade.
SDC: A mais de um ano no ar das 08:00 às 12:00 à frente da programação da Rádio UFS o que mudou desde seu inicio,? O que veio como contribuição e de diferente no que já víamos nas rádios sergipanas?
MD: A rádio UFS tem uma programação boa, porque mescla diferentes ritmos, e independe da indústria fonográfica. Quem diz o que toca é o programador, não o empresário da banda A ou banda B, que precisa pagar “jabá” para veicular a música de seu artista – prática comum no rádio brasileiro. A emissora não é refém da publicidade e preza pelos valores do bom gosto.
SDC: Como avaliar o que os ouvintes querem escutar ou identificam-se com a programação? O que você como programador imprime na defesa da qualidade da sua estação? Nesse sentido como você se posiciona em relação ao rádio jornalismo?
MD: A emissora tem uma linha musical já conhecida pelos aracajuanos, então o ouvinte sabe que pode interagir conosco, pedindo músicas, porque compartilha do mesmo estilo musical. A parte do jornalismo fica por conta da parceria com a Empresa Brasil de Comunicação, que veicula de hora em hora um boletim informativo com a duração de 3 minutos.
SDC: O que não pode faltar na sua programação? Qual o critério para selecionar o que é qualitativo e o que realmente aproxima público e estação?
MD: A palavra qualidade é difícil de explicar. Ela é muito subjetiva, o que tem qualidade para mim, pode não ter qualidade para você. Escolho as músicas que gosto dentro do repertório proposto pela emissora.
SDC: Como você avalia a relação da população com as rádios e também das rádios com o seu público nessa briga intensa por IBOPE?
MD: As emissoras comerciais precisam realmente medir sua audiência. O mercado de anúncios vai querer saber a quem e a quantas pessoas, determinado programa atinge.
SDC: Na sua opinião, o que deve ser feito pra mudar essa realidade?
MD: Essa realidade competitiva é natural do comércio, uma emissora que atinge mais ouvintes é uma emissora que toca o que os ouvintes querem ouvir. Geralmente essas músicas são ditadas pela novela, pela televisão e pela indústria musical. A rádio educativa pelo fato de ser pública não precisa de anúncios, por isso tem a independência de tocar o que lhe convém e não o que está na moda.
SDC: quais suas aspirações em relação ao campo da comunicação?
MD: Desejo continuar na área e estou aberto a novos aprendizados e a passar por outros horizontes profissionais.
SDC: Fazendo um balanço dos avanços tecnológicos e nesse sentido o compartilhamento cada vez maior de músicas pela Internet, como manter um Público assíduo e compromissado com a proposta da rádio UFS e em especial os eu programa?
MD: A tecnologia mudou a forma de comunicação. A rádio funciona como um referencial musical. As pessoas baixam músicas na internet, é fato. Mas geralmente baixam o que ouviram numa rádio, viram num filme, elas não vão para internet sem referência.
SDC: Qual o gênero ou artistas do momento? Defenda para os leitores do soldadinho um artista que deve ser ouvido no momento.
MD: Eu sugeriria a combinação Gal Costa + Dionne Warwick. Gal Costa dispensa apresentações. A Dionne é uma cantora norte-americana estilo soul/pop, gosto dela por seu timbre de voz firme e suave e de Gal por sua voz diferente e por sua boa interpretação.
Gal Costa: Divino, maravilhoso, Que Pena, Ovelha Negra, Esquadros, Namorinho de portão, Imunidade racional. Dionne Warwick: I say a little prayer, I never fall in love again, I never love this way again, It’s you (Com Stevie Wonder), That’s what friends are for.