
Para muitos vai parecer confusa essa colocação, mas não menos obstante, necessária. A igreja é uma instituição humana, feita de concreto e cal, é bem verdade, passível de todas e qualquer manipulação humana, toda via sua base está estamentada nas leis poéticas que nos concedeu Jesus cristo e seus seguidores através dos livros que juntos compõem a bíblia sagrada. Isso por si só já é um ponto dicotômico entre a realidade pragmática e uma vivência dogmática, e também não menos conveniente, devemos lembrar a força do espírito santo de Deus na condução dessa base.
A natureza humana implica todas as coisas turvas e mesquinhas da terra, e como seria tudo isso se não nos apoiássemos nas leis de Deus? Mais rasos e menos nossos eu diria, mas a bem da verdade todo e qualquer ser consegue suprimir a ignorância e o desprezo à intolerância e no fundo abissal de suas almas buscarem o entendimento para a sua paz e os seus temores. Seria essa claramente, outra construção dogmática. Parece-nos empírico o fato de que Deus e o diabo também são ampla dicotomia, e que a as respostas para os dois vêm justamente da necessidade lasciva de que temos que justificar o bem e o mal (desde cedo esses conceitos andam a nossa volta, foram criadas, impostas de maneira torpe, mas não é em si uma inverdade). Devemos entender que em alguns casos e nesse contexto, os homens acabam por esquecer mais dos dons divinos e a salvação que o filho de Deus nos concedeu e preocupam-se mais com a instituição que a tanto custo se conseguir erguer.
A igreja é a casa de nosso Pai, e é nela que nos fortalecemos e celebramos juntos a união entre os irmãos e a comunhão com Deus, mas também é nela que nos perdemos um pouco a cada dia e nos afastamos do mundo: devemos ser a luz do mundo, é bem verdade e já diz a bíblia, mas para esse alcance creio ser possível fazê-lo de maneira mais simples e menos incômoda: Não entendo porque cargas d’água muitas vezes a igreja enquanto instituição nos imprime a sensação de anti-coletividade (para não usar o ISMO, que nesse caso denotaria doença) e faz com que a própria igreja se afaste da construção coletiva do bem comum. Ela tem um papel fundamental na construção do pensamento coletivo, do pensamento dogmático e deve de todo modo, servir como alicerce para a manutenção pratica dos ensinamentos bíblicos, dessa forma, não desviaríamos os nossos caminhos do senhor e seriamos filhos firmes e fies à palavra de Deus. Toda via é necessário que ela não se feche para os portões do mundo, que não ficcional, funciona segundo a base das relações diretas entre os diversos campos e setores públicos e privados e que vai além de muros, só se sente na prática.
Nesse sentido me alegra o espírito ter presenciado momentos impares no acampamento da juventude do FMS (Fórum Social Mundial 2009) que aconteceu de 28 de janeiro à 01 de fevereiro de 2009 na cidade de Belém no estado do Pará, um deles e creio que dos mais construtivos para a quebra da linearidade em meus conceitos, foi a de ter a oportunidade de estar em contato com uma comunidade cristã que lá estava acampada para ministrar a palavra de Deus aos que dela não ainda haviam ouvido falar, ou que a custo de tantas mazelas estavam distantes dos caminhos do senhor. Pela primeira vez eu tive a real noção do quanto foi importante à comunidade cristã estar naquele espaço, participando de alguma forma da construção ativa de novas propostas enquanto alternativa de sociedade: é esse o papel do fórum, criar alternativas novas e condizentes à realidade do povo que lá se representava através de mais de 150 países. E creio ter sido um passo mais que importante a igreja não se isentar ao fato de que enquanto instituição que lida com homens, ter a consciência ao dever de se fazer representar enquanto célula ativa na construção de uma concepção de mundo que pode ser entendida como nova e diretiva na vida de tantos quantos vivem a turbulenta fase do desconhecimento de Deus.
Através do acampamento João 3: 16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu filho unigênito, para todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha vida eterna.” Muitas pessoas puderam conhecer um pouco da palavra, puderam louvar através de seus corpos na dança e suas bocas na unção dos louvores em programações que se extendiam todo o dia e para a diversidade de visitantes, desde as crianças aos mais velhos e não crentes: todas essas coisas isentas de olhares maledicentes ou que recriminassem o espaço, porque ali, sabia-se: éramos todos iguais entre os homens,e o espaço da tenda cristã era não mais uma alternativa de construção social, de sociabilidade e coletividade, mas sim de disseminar as sementes para que colhêssemos depois os frutos, e de apenas uma oportunidade de mostrar que também a igreja tem o dever de representar a coletividade, ou mesmo o pensamento coletivo de sua agremiação, de seus princípios e ideologias: entre tanta esquerda, direita e centralistas, os jovens que bravamente resistiram não só ao tempo, mas a si mesmos e juntos construíram o cantinho de semeadores no FMS, merecem ser lembrados, não para as suas honras, mas para a glória de seus feitos que a Deus, de certo lhe valeu como cada flor que desabrochará mais a frente.