Conquista do paraíso

Não seria tolice pedir nesse espaço que seja dado ao povo o que é do povo. Venho acreditando por bastante tempo (e suponho não estar enganado) que a arte deve emanar do povo para o povo. Foi o que pude comprovar na ultima terça-feira dia 06 de setembro no Teatro Tobias Barreto. Casa cheia, pessoas enfileiradas nos corredores e escadarias e naturalmente um calor a mais cooptado pela insuiciente potência de acondicionar a temperatura ambiente. Não, não foi incômodo para quem se esgueirava entre algumas frestas tentando ver os mais de trezentos músicos e o maestro no palco. E também tão pouco importava ver os corpos, a música que se produziu naquela sequência arrebatadora era significantemente audível à todos os presentes. Finalmente a UFS (Universidade Federal de Sergipe) entende e cumpre com o papel importante de propiciar e impulsionar as diversas manifestações artisticas em seu estado natal. A começar pelas artes visuais expostas no Hall de entrada do teatro, e depois, o concerto em conjunto da OSUFS (Orquestra Sinfônica da Universidade Federal de Sergipe) e da orquestra de cordas do Vale do Contiguiba (OSVC). Não menos importante compreender que execuções populares tocam o que há de mais intimo nas pessoas, que se reconhecem no que escutam como pudemos sentir em Piratas do Caribe e Cheiro da Terra, é entender que o povo não está desde os anos iniciais predisposto à erudição das execuções mais clássicas (e seja por isso mesmo que tenhamos visto um Tobias Barreto tão bem repleto como só tinhamos visto até então em abril de 2006 com a Orquestra sinfônica Jovens de Sergipe conduzida pelo também maestro Ion Bressan. A primera obra nos toca por nos remeter diretamente à sequência de filmes estrelada por Jhonny Depp e que retrata tão bem a firmeza excitante dos homens que se lançavam no mar em tempos remotos em troca das mais vãs aventuras naúticas, e a segunda por que cada sergipano ali centrado pôde se sentir um pouco mais intimo de sua cultura ao escutar a  intensa poesia que versa sobre as belezas de Aracaju e as ondas do mar da praia de Atalaia ( tão bem cantadas pelo grande coro no palco e na plateia).

Em sequente atitude viceral La italiana in Argele (Giacomo Rossini) , executada heroicamente pela nova Orquestra que se estrutura a passos vistosos,  seguida pela tão brava audição de um concerto para dois violinos de Vivaldi. A leveza das cordas em uníssono e dos solos expressivos de Márcio Rodrigues (Spalla da ORSSE) e do também violinista Tarcisio Rodrigues que segue como violino principal da OSUFS e também chefe de nipe dos Violinos II  da Sinfônica de Sergipe (ORSSE). Depois, Voltar no tempo e sentir através da música as ondas do mar batendo no casco das grandes caravelas que vinham imponentes descobrir um novo continente (em conquista do paraiso de Vangelis) e a euforia da plateia ao se deparar com um arranjo do maestro Ion Bressan chamado Temas de Cinema ( um verdadeiro passeio lúdico aos mais váriados temas e aberturas de cinema como a abertura da MGM, Batman, James Bond- 007  e a ponte do Rio Kwai).

Devo confessar que os aplausos insurdecedores que seguiram com a execução do tango argentino de Astor Piazzolla (Adios Nonino), tão doce, tão egoistamente sofrido pela leveza do manuseio da clarineta e da resposta das flautas transversais, era de se sentir como também uma perda para cada músico. Uma perda gostosa de algo que só se contempla de quando em quando nos teatros sergipanos. Também não menos excitante lembrar a batida forte da percussão e da rispidez acelerada (um pouco descompassada) das cordas em Batuque ( Oscar Lorenzo Fernadez). Uma tentativa brava de reproduzir essa peça tão densa da cultura erudita popular brasileira (sem parecer redundante o termo, claro). Isso tudo envolto num desejo pueril de acertar, de se fazer compreender, de se fazer ecooar como importante nos quatro cantos. E que bela dose de energia um Alheluia de Handel e uma Carmina Buranna de Carll Orff intensionalmente tão bem desenhadas pelo coro e orquestra. E que tão belo afago esperançoso em cada um ali presente, de que não querer se ausentar da plateia mesmo quando de Bis já havia sido executado Temas de cinema, o povo gritava por mais uma dose De piratas do caribe.

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Me recuerdo te olvidar ese amor

Aracaju-SE

Minha pequena bruta flor do querer

Quando me disseste que o adagietto de Mahler lhe trouxe uma sensação a qual imagino ser de desconforto, isso me trouxe felicidade. existia uma árvore bem a sua frente. E o fruto o qual não percebeste de maneira alguma e que por esse motivo talvez você não tenha sentido o desejo de prová-lo, é alma. Descobri a passos lentos que é necessário uma partícula mínima de alma para entender a narrativa daquele texto.A olhos nus Mahler pode nos repelir com  essa 5º sinfonia: mas é preciso ter alma de ouvir e coração de escutar e então, entregar-se a todo o desvelo de sentí-lo a cada nota, a cada dor, não é uma atividade que nos trás tristeza.

Não vejo desabandono ou dor nessa melodia, assim como vejo necessário apunhalar até o ultimo àtimo de consiência dentro de nós mesmo e encontrarmos o sentido para o que Gustav Mahler quer nos dizer: e talvez não queira nada além de nos tocar sem precendentes e por isso estejamos tão próximos de nos acabar nessas sensações de dor intensa. Minha querida, quantas vezes já ouviu de mim que é justamente nessas passagens em que me reconstruo pleno, por que sei que é possível sentir a dor como se fosse minha e nela entender a poesia de amar a tudo quanto está impregnado em mim como uma parte exilada?

E perguntar com esse medo, o porquê de ele me lembrar você , como se antevesse minha boca dizer que a teu lado a sensação era de desalento fez com que  eu lembrasse seu primeiro encontro com uma orquestra: com aquele não entendimento completo e essa confusão de sensações de primeira vez. Ri com paciência e entendi que nesse gesto havia alma. Principalmente em não conseguir escutá-lo até o fim: como quem prevesse que o fim do adagietto era o fim em si. É necessário alma nessas coisas também, na ruptura, no silêncio, no medo de coexistir com a incerteza de um dia ter tudo o que quer. Faz-se necessário entender a alma partida por todas as coisas que nos tocam e que na estranheza nos sentimos vulneráveis. Vejo alma quando dizes que não pode escutá-la até o fim. Não direi também que a escute: buscando um pedaço de nós ou nos repelindo, assim como não pedirei que me mande girassóis quando fizer frio e assim como também não poderia desejar que a magnitude dessa obra represente o fim.

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A dor define nossa vida toda

E pensar que esse inverno pareceu eterno, essa nuvem que nos circundou todo esse tempo agora se dissipa lentamente mas já não causa efeito algum. Somente quando o olhei e minhas retinas sangravam ódio entendi que mais um ciclo acbara se iniciando em decorrencia de um outro longo que se fechava. Ri ironicamente, ri de mim inclusive, me vendo aflito por ver-te ali parado. Repousaste a mão sobre minha perna num gesto infantil de estabelecer diálogo e meu aceno arredio com a cabeça era uma indicação visível de que não há amor sem que uma hora o ódio não chegue.

E chegou assim como não quer nada, não o esperei ou provei dele em doses pequenas durante a vida, vida inclusive muito linear e abobalhadamente amistosa à todos aqueles que juntos convergiam comigo à mesa, na cama, no mesmo baho ou nas ideias tolas de mudar o mundo com nossas próprias mãos. Essa construção de agora não prevê espaço para idealismos ou fantasias poéticas: o preço do pão continuará inflacionado e de certo que meus patrões não vão nunca aumentar meu salário só por eu ter desempenhado bons papéis. A aurora e o crepúsculo sempre estarão lá e isso sim é concretamente poético, não a ilusão passageira a qual nos agarramos de que somos ainda o melhor produto nas prateleiras.

Choveu bastante nesse tempo e percebi a chuva com mais tranquilidade e a desejei também, não como antes em que quando o céu a anunciava eu logo coria para buscar um cobertor e os pensamentos adentravam ligeiros minha caixa encefálica. Agora a usava, molhava-me toda vez e o pensamento unico já estava lá dentro; os pingos agonizavam ainda mais como ácido em minha pele e sentir aquela dor era como reavivar todos os maus sentimentos que meses antes desconheci, quando desconheci também a deslealdade. Não se pode dar daquilo que não se tem e por isso mesmo essa sensação única de quem somente dá e recebe é capaz de sentir. Acabou…

As andorinhas todas planejavam aportar um dia sobre essa falsa ideia de paraíso, ainda bem que existe a chuva e quando não esperamos vem o inverno e desmascara todos os portos e somos obrigados a nos proteger dentro de uma casca. Essa é a unica certeza de que vamos continuar rumo a outros portos quando o nível das águas forem baixos e o céu assuma um tom anil. E o ódio que nos alimenta vai pungindo nas veias à doses certas como nos proteger de um canto falso de passáro em sua janela. O verdadeiro não precisa cantar, não precisa estar assentado no umbral de meu quarto. Mais sei quando me olha calado e sabe entender a necessidade da luta nos meus olhos ou que percebe nas minhas retinas quando o encanto pela luta se dissipou e mesmo calado e distante me toca.

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Tatuagem

“Te enrustiste em minha vida e cada hora que passa é mais por que te amar, e sabe o que eu sei? Essa saudade de estar perto se longe ou de estar mais perto se perto” e com isso se vai quase todo meu sangue. O desejo não está somente nas carne e nem tão pouco minhas pernas são como trechos indeléveis de uma peça. Nesse caso mais que antes e amanhã que sabe mais forte que hoje eu vá sentirte nos fios tensos, nas linhas de uma estrela de Davi, sentir-me mais eu por que  antes de você chegar era tudo saudade…

Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é pra te dar coragem
Pra seguir viagem
Quando a noite vem
E também pra me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega
Mas não lava

Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo se alucina
Salta e te ilumina
Quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta
Morta de cansaço

Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas
Mas no fundo gostas
Quando a noite vem
Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, a ferro e fogo
Em carne viva

Corações de mãe
Arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo
Mas não sentes

(Chico Buarque)

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Pela leveza do novo

Me aconteceu de ele aparecer assim do nada: depois de uma apresentação do Renantique (grupo de música renacentista da cidade de Aracaju-SE) apresentado a mim por um amigo que também assistia ao espetáculo. Descobri quase que ao mesmo tempo a existência da rádio UFS e que aquele moço a minha frente fazia parte da estação como locutor. Era de cara um diferencial: novo e despojado dos termos tecnicos e de tudo quanto fosse convencional para estar à frente de um horário nobre mesmos endo a rádio nova na praça.

Marcones Dantas, nascido em Sergipe e contando agora 22 anos de idade é estudante de comunicação com habilitação em radialismo pela Universidade F ederal de Sergipe (UFS).  Já tendo trabalhado em estações AM está a um ano e dois meses a frente da Rádio  UFS pelas manhãs em sintonia FM e desponta como um diferencial entre as locuções já existente em Sergipe. DSC02093Sabe dosar a jovialidade e a maturidade de saber o que a sua geração quer ouvir além de ser dono de um timbre de voz pecualiar que o diferencia cada dia mais no meio da multidão.

SDC: Quando você decidiu estudar radialismo?

MD: Sempre gostei de rádio, desde pequeno. Eu além de ouvir muito, costumava fazer gravações domésticas e me divertia com isso, então decidi prestar vestibular para essa área.

SDC: Mesmo sendo arriscado ingressar numa área em que as oportunidades não são tão diversas como a do radialismo aqui em Sergipe, por que persistir nessa aspiração?

MD: Primeiro por gostar. O dinheiro, apesar de ser necessário, acredito que não deve ser o único fator na escolha de uma profissão. Ele será uma conseqüência da minha escolha e do meu trabalho; poucas pessoas têm a oportunidade de trabalhar com o que gostam, e eu sou uma delas.

SDC: A que você atribui essa restrição de mercado? Qual as perspectivas de mudança?

MD: Essa área de comunicação é pequena mesmo, principalmente em estados pequenos. Ela é mais ampla no sul, onde se concentram as grandes emissoras e cadeias de rádio. Com a internet a tendência é do profissional audiovisual, não mais aquele que só faz uma determinada tarefa, mas aquele que tem a capacidade de passar por diversas fases da produção audiovisual, seja no rádio, na televisão,  no cinema, e ainda na internet

SDC: como surgiu seu primeiro contato com o rádio já profissionalmente¿ Você sempre foi um ouvinte¿

MD: Sempre fui ouvinte, cresci ouvindo rádio. Minha primeira fala no rádio foi na Aperipê AM, a convite de uma colega do curso que fazia a matéria laboratório. Depois apresentei durante 10 meses um programa religioso semanal na Atalaia Am. Nesse período a rádio ufs, emissora da qual já fazia parte entrou no ar. E eu fiz a primeira locução da emissora em 20 de agosto de 2008, e desde lá apresento um programa diário.

SDC: Sobre o clichê de que os radialistas devem ter uma voz em tons graves gritantes você surge como uma dicotomia já que consegue transmitir uma certa leveza no tom grave natural. Como lidar com essas percepções?

MD: A voz grave sempre foi muito admirada e solicitada pelo rádio. A minha voz tem um quê de grave, é um timbre mais educado, não carnavalizado.

SDC: Outro marco dessas diferenças todas e a pouca idade. Ela é fator para a manutenção do tempo de vida no ramo ou num caso oposto, ter pouca idade significa ter algumas portas fechadas?

MD: No rádio antigamente, todos começaram cedo, e eu acho que a idade não tem muita importância não.

SDC: Você acredita que ser um diferencial de idade e voz, abre portas para uma geração de meninos e meninas que podem sonhar em realmente seguirem o caminho da radiodifusão?

MD: Eu acredito que todos devem correr atrás dos sonhos independente de idade.

SDC: A mais de um ano no ar das 08:00 às 12:00 à frente da programação da Rádio UFS o que mudou desde seu inicio,? O que veio como contribuição e de diferente no que já víamos nas rádios sergipanas?

MD: A rádio UFS tem uma programação boa, porque mescla diferentes ritmos, e independe da indústria fonográfica. Quem diz o que toca é o programador, não o empresário da banda A ou banda B, que precisa pagar “jabá” para veicular a música de seu artista – prática comum no rádio brasileiro. A emissora não é refém da publicidade e preza pelos valores do bom gosto.

SDC: Como avaliar o que os ouvintes querem escutar ou identificam-se com a programação? O que você como programador imprime na defesa da qualidade da sua estação? Nesse sentido como você se posiciona em relação ao rádio jornalismo?

MD: A emissora tem uma linha musical já conhecida pelos aracajuanos, então o ouvinte sabe que pode interagir conosco, pedindo músicas, porque compartilha do mesmo estilo musical. A parte do jornalismo fica por conta da parceria com a Empresa Brasil de Comunicação, que veicula de hora em hora um boletim informativo com a duração de 3 minutos.

SDC: O que não pode faltar na sua programação? Qual o critério para selecionar o que é qualitativo e o que realmente aproxima público e estação?

MD: A palavra qualidade é difícil de explicar. Ela é muito subjetiva, o que tem qualidade para mim, pode não ter qualidade para você. Escolho as músicas que gosto dentro do repertório proposto pela emissora.

SDC: Como você avalia a relação da população com as rádios e também das rádios com o seu público nessa briga intensa por IBOPE?

MD: As emissoras comerciais precisam realmente medir sua audiência. O mercado de anúncios vai querer saber a quem e a quantas pessoas, determinado programa atinge.

SDC: Na sua opinião, o que deve ser feito pra mudar essa realidade?

MD: Essa realidade competitiva é natural do comércio, uma emissora que atinge mais ouvintes é uma emissora que toca o que os ouvintes querem ouvir. Geralmente essas músicas são ditadas pela novela, pela televisão e pela indústria musical. A rádio educativa pelo fato de ser pública não precisa de anúncios, por isso tem a independência de tocar o que lhe convém e não o que está na moda.

SDC: quais suas aspirações em relação ao campo da comunicação?

MD: Desejo continuar na área e estou aberto a novos aprendizados e a passar por outros horizontes profissionais.

SDC: Fazendo um balanço dos avanços tecnológicos e nesse sentido o compartilhamento cada vez maior de músicas pela Internet, como manter um Público assíduo e compromissado com a proposta da rádio UFS e em especial os eu programa?

MD: A tecnologia mudou a forma de comunicação. A rádio funciona como um referencial musical. As pessoas baixam músicas na internet, é fato. Mas geralmente baixam o que ouviram numa rádio, viram num filme, elas não vão para internet sem referência.

SDC: Qual o gênero ou artistas do momento? Defenda para os leitores do soldadinho um artista que deve ser ouvido no momento.

MD: Eu sugeriria a combinação Gal Costa + Dionne Warwick. Gal Costa dispensa apresentações. A Dionne é uma cantora norte-americana estilo soul/pop, gosto dela por seu timbre de voz firme e suave e de Gal por sua voz diferente e por sua boa interpretação.

Gal Costa: Divino, maravilhoso, Que Pena, Ovelha Negra, Esquadros, Namorinho de portão, Imunidade racional. Dionne Warwick: I say a little prayer, I never fall in love again, I never love this way again, It’s you (Com Stevie Wonder), That’s what friends are for.

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A despeito da desordem

Lucas saiu do quarto quase cambaleante e escorou-se um pouco entre os cantos largos da parede da cozinha, buscou para si um copo com água e foi aos poucos se recompondo; não foi se quer preciso recorrer aos remédios para controlar sua pressão. A respiração lenta dava o tom de seu desespero que ia se pondo em calma.

Desde que seus pais romperam o relacionamento duradouro e aparentemente muito feliz que como fruto deu-lhes três filhos (dentre esses, ele próprio que se assemelhava em muito aos educados e gentis meninos que fazia as estatísticas despencarem sobre a moral e a ética do bom convívio) o menino desenvolveu tal asfixia toda vez que seus pais resolviam voltar às mazelas da não tão bem resolvida separação.

Não era de se estranhar o fato de que Lucas foi o único a fica com o pai, era o único homem e desse modo o relacionamento afetivo do entendimento seria mais pleno, suas duas irmãs como haviam ficado de imediato com a mãe talvez nunca fossem ter a dimensão do que é estar ao meio do fogo cruzado.desordem-domestica

Não restava duvida para o menino em relação ao amor de seus pais pelos três, de todo modo sua mãe insistia em fazer do menino a fonte da discórdia entre eles todos. Sua irmã mais velha já havia se libertado da infância quando a mãe deu-se conta de que por bem das regras perderia a pensão da menina e com isso Lucas passou a ser alvo de desejo; o fascínio por fazer com que o menino fosse viver com ela ia além de seu amor por ele, e não excluindo esse fato o amor tinha que vim junto com a pensão que ele representava se conseguisse provar ao meritíssimo que ela era a mais preparada para cuidar do menino em fase de ebulição hormonal e da afirmação de sua personalidade.

Daí às brigas foi uma linha muito tênue e que criou como vitima mais grave o menino de ainda doze anos. O pai não abria mão de estar ao lado de seu filho e mostrava-se lesado por que de três filhos ficou com apenas um e já a mãe mostrava a ele a importância de o menino ter seus cuidados mais afincados na relação doméstica de sua condição de mulher e mãe.

Em meio aos gritos de acusações extraconjugais e passados em rosto o desgaste da relação num tom violento de desafio à loucura, ninguém teve tempo de perceber-lhe aos cantos chorando por se perceber tão barato quanto todos os objetos que se pode comprar nos mercados. Ninguém se preocupou ao menos em perguntar num tom amistoso com quem o menino pensava ser melhor viver, se as mudanças arrancariam dele parte das conquistas já feitas como os amigos e vizinhos, a sombra da árvore daquela rua em especial ou mesmo às manhãs calmas as quais passava a relatar tímido e acuado o quanto desejava não ser como um fantoche naquela briga dos dois.

O quarto já não era nunca uma fortaleza quando nele ressoava os ecos altos daquilo que chamavam seus pais de uma conversa amigável e a bem dos meninos, a bem de manter a ordem social do lar e com isso a pressão colérica em sua cabeça de escolher entre o pai e a mãe ia definhando o menino em problemas de saúde e autofirmação que ele não estava domesticado a entender e saber a melhor maneira para livrar-se deles. Só sabia mesmo que quando o interfone tocava anunciando a chegada de sua mãe, logo ele corria para a cozinha em busca de seu remédio para controlar a pressão. Em outras vezes ou não estava em casa ou estava dormindo como no dia em que foi abruptamente acordado pelos ecos altos e instintivamente começou a sufocar e saiu do quarto quase cambaleante e escorou-se um pouco entre os cantos largos da parede da cozinha. Buscou para si um copo com água e foi aos poucos se recompondo quando se percebeu no meio de mais um sonho confuso de discórdia familiar que teimava em acordar-lhe várias vezes seguidas à noite quando se aproximava o fim de semana que sabia que ia ter de passar com sua mãe. Sentia como prever a hora de sua chegada e com isso percebia o risco de mais uma desavença, e com isso se perdia em suores intensos que molhava toda a roupa de dormir e não mais conseguia voltar a dormir.

Lucas sentava-se no chão da cozinha e sentia estar atado a nós que talvez não fosse aprender nunca a desmanchar. Seus pensamentos perpassavam o ar da madrugada que assobiava em seus ouvidos as histórias que ia escrevendo em seu caderno para que na se segunda-feira seu professor pudesse ler no horário de intervalo das aulas.

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EM MINHA CABEÇA SÓ MINHOCAS

Aracaju-SE

Bom dia senhorita,

Eu não concebo essa imagem em minha cabeça, e se as vezes ela me encontra num canto é como que para aparar as arestas que ficam do vazio pensamento. Ou os pensamentos transbordam imensamente lá dentro que não consigo expô-los ou os tenho em silêncio; a segunda melhor que a primeira para dizer todas as coisas à nossa volta.

Acordei para esse fato sem mesmo acordar em outro dia. Ainda é noite, madrugada: dia então já que o relógio fez a volta completa e me despertou nesse transe nocturno. jonas

Os ratos pararam essa noite, e os passos se calaram para ouvir minha mente:  a respiração pulsa numa valsa de desculpas;  me afogando em Adeus revolvo  na cama. Embora as luzes estejam apagadas consigo ver o brilho dos outros olhos e o ar não é puro, está condicionado e isso nos confunde entre homens e máquinas.

Cada pessoa enxerga o que quer enxergar e talvez não seja de todo um erro. Podemos criar nuances e ir descobrindo tons que antes nãos e viam nas flores. Estou inquieto demais e não consigo dormir; passei a mão em minha pele e descobri barba que a um mês atrás não existia e então seus cabelos crescem parecendo querer igualdade. Tanto faz se os dedos são compatíveis. Se na memória ficam as lembranças, o coração vai numa estrada que depois do amor amanhece.

E o sono é como o silêncio, nele tudo se dobra e tudo  resguarda: nesse intento é que preservamos a saliva de outros beijos e renascemos donde nem o tempo nem a vez é como a saudade da realidade. O vazio se preserva no corpo ardendo em mim e por issoa cama não é como um leito acolhedor. É tão coice, é tão duro abrigo que ensina a esquecer.

Despertas! O sono não é bom sozinnho. E se me despeço é por não escutar tua vinda aqui. A tv lá na sala ligada não é um bom atrativo, prefiro o samba; canto um canto como quem faço amor na madrugada e me falta a poesia.

As mãos atadas não dizem nada. Na verdade nehuma parte de mim responde à inercia em que se abriga o desejo: que não é preciso ter mãos nem pés, nem beleza para existir de um corpo como a madeira boa de um violão. Os acordes todos, a melodia vamos conhecendo aos poucos; no toque é que sentimos a textura das casas e se nelas habitam os homens e os vermes. A dor do silêncio coisa pequena, é que me transfigura e empalidece. E quão óbvio é o que o grito sussura aos teus ouvidos não? É uma vida sobresaltada; não sei nada e é a mesma porta sem trinco, o mesmo teto. Àquela rua vai dar na mesma estrada.

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